sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Elas estão indo embora

Quando esse ano começou me disseram, 'é agora que as pessoas começam a ir embora.'Eu não dei muita idéia, até que pouco a pouco, as pessoas começaram mesmo a ir embora.

Nunca achei que quando elas começassem mesmo a partir eu fosse me sentir de outra forma, mais não consegui evitar a surpresa ao me ver afundada numa nostalgia daquelas. De ficar em choque pra chorar ouvindo o que costumavamos ouvir, rir do que costumavamos dizer e deseperdiçar um tempo enorme olhando fotos de como fomos um dia foi um pulo, e nada é tão gostoso e doído quanto a saudade de um tempo em que tudo era mais simples e descomplicado.
Existe uma diferença enorme no distanciamento abrupto, imposto por algumas centenas de quilômetros e naquele que nós mesmos, envolvidos numa preguiça constante, entorpecidos por todas essas pessoas novas e viciantes que surgem, deixamos dissolver lentamente o que parecia impossivel de sumir. O primeiro sempre me pareceu melhor, talvez por tirar aquela parcela de culpa do 'eu que deixei isso acontecer', talvez por ser mais uma coisa que podemos atribuir ao destino, por nos tirar a chance de ter feito alguma coisa para evitá-lo.

O egoísmo me impede por alguns instantes de entender que mudanças são boas. A saudade já me rasga inteira e me faz me arrepender de não ter tentado um pouco mais. O sentimento de que deixei tantas coisas boas passarem nubla meu julgamento já naturalmente prejudicado e me faz suspirar e repetir a mesma frase, de novo e de novo. Elas estão indo embora. Elas estão indo embora. Elas estão indo embora.

E eu continuo aqui.

Um comentário:

I like it rough.
Evitem delicadezas.