domingo, 27 de setembro de 2009

ato

A música diminui. Um spot de luz único focado na jovem sentada sozinha na mesa de madeira. Um prato de brigadeiro meio comido jaz no meio da mesa, duas colheres apoiadas na beirada. A cadeira ao lado dela encontra-se vazia também. Ela encara o prato e as colheres, até que um rapaz magro vestindo uma camisola de seda azul entra e senta-se ao lado dela.

- Então é isso.

(O rapaz fala enquando pega uma colher e enche de brigadeiro. Ele faz barulho de avião com a boca enquanto leva a colher na direção da jovem. Ela mantém a boca fechada e vira o rosto. Ele não insiste, passando a comer o brigadeiro.)

- O que você quer?

(Ele fala novamente, a voz saindo pastosa de brigadeiro. Os dois ficam quietos, ela suspira e abaixa a cabeça, apoiando-a nos braços sobre a mesa. Ele termina de comer, enchendo a colher novamente. O brigadeiro se inclina perigosamente para as beiradas da colher. Ela fala.)

- Quero dormir. E sonhar. E que você tire a minha camisola, e que morra engasgado com esse brigadeiro velho.

Ela termina de falar e enfia a cabeça entre os braços. O rapaz afirma com a cabeça e continua comendo, derrubando um pouco da colher cheia demais direto na camisola de seda azul clara.
Entra a música.
Apaga-se a luz.

Um comentário:

  1. Encherga-se a morte, assim como encherga-se todo sinlêncio rompido pela escuridão que as luzes apagadas transmitem. Os sussurros do sonhar embaraçado e as inquietude causada pela mancha na seda azul clara.
    Pára a música.

    Já é dia.

    (L

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I like it rough.
Evitem delicadezas.